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quarta-feira, 9 de março de 2011

O relacionamento entre pais e filhos

Ao escrever o Salmo 128, o salmista expressou àquilo que desejamos para as nossas famílias: um lar com harmonia e felicidade.

Bem-aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos. Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem. A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira à roda da tua mesa. Eis que assim será abençoado o homem que teme ao Senhor. (Salmos 128:1-4)

Entretanto, em muitos lares, esta não é a realidade. E um dos motivos para que isto ocorra é a falta de observância dos princípios mais elementares no relacionamento entre pais e filhos. A instrução de Paulo era a seguinte: “Filhos, obedecei a vossos pais...”. Todavia, em algumas famílias, esta sentença tem sido invertida, com os filhos usurpando a autoridade dos pais.
As crianças, desde que nascem, testam a autoridade dos pais para ver até onde eles podem ser controlados, e até onde eles atenderão seus desejos. Se, durante este processo, os pais não estipularem, com firmeza, os limites que o filho deverá observar, a tendência é que, com o passar dos anos, está criança tenha dificuldades de reconhecer a autoridade dos pais.
Os nossos filhos precisam de limites. Eles precisam saber o que podem e o que não podem fazer; precisam conhecer as regras do jogo. E, apesar dos filhos reagirem contra isso, no seu íntimo, eles desejam que os pais usem de sua autoridade e imponham limites, pois eles precisam disso para sentirem-se mais seguros.
Mas, infelizmente, em muitos lares, limite é sinônimo de permissão e não faz mais parte dos princípios da família. Com medo de serem rigorosos de mais, ou como forma de compensar a ausência no lar, devido aos inúmeros compromissos da vida moderna, os pais tem se omitido no cumprimento de sua principal responsabilidade: educar os filhos. Muitos terceirizam essa árdua tarefa, e delegam esta tão relevante missão. Faz-se necessário que os pais, com urgência, reassumam este papel, pois esta é a vontade de Deus para as nossas famílias. E para tanto, precisamos observar a instrução deixada por Paulo, em Efésios 6:4: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.” Do texto, podemos extrair três atitudes que os pais devem ter com seus filhos: ensinar, disciplinar e amar.
Provérbios 22:6 nos diz: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” A instrução é a melhor maneira de moldarmos a personalidade de nossos filhos. O ensino consistente e contínuo fará com que eles sejam bons filhos, bons cônjuges, bons pais, bons cidadãos. E não falo apenas sobre as coisas espirituais, mas também sobre valores morais, éticos e sociais. Eles não nascem sabendo como devem se portar à mesa, como amarrar o cadarço dos tênis, como tomar banho, quando dizer “obrigado”, “por favor” e “com licença”. Eles precisam ser orientados, instruídos, não apenas com palavras, mas com o exemplo.
Convém ressaltar, porém, que ensinar exige tempo, paciência e dedicação. Não é uma tarefa fácil, pois, muitas vezes, podemos perder até a estima do filho. Todavia, os que persistem, colhem bons frutos, inclusive com o reconhecimento dos próprios filhos sobre a importância que teve, na sua formação, a atitude dos pais.
A disciplina é um dos principais elementos na formação do caráter de uma pessoa. É a forma que dispomos para corrigir o rumo quando a instrução não foi bem assimilada pela criança. Se aplicada corretamente, trará grandes benefícios ao seu desenvolvimento. Entretanto, a sua ausência pode trazer consequências desagradáveis, conforme nos diz Provérbios 23:13: “Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno.” Eis o grande benefício da disciplina: livrar os nossos filhos da morte, ou seja, mantê-los dentro de um padrão de comportamento que não seja prejudicial à sua alma.
Uma observação: a disciplina deve começar cedo – Provérbios 13:24: “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina.” Quanto mais tarde iniciarmos a correção, mais difícil será.
Por fim, é fundamental que todo o processo de ensino e disciplina seja realizado com amor. Essa foi a orientação de Paulo: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira...” Quando agimos com injustiça, ou com excesso na disciplina, provocamos a ira dos nossos filhos. Por isso, é importante mantermos o equilíbrio e a coerência quando vamos ensinar/disciplinar. Autoridade não é a mesma coisa que autoritarismo. Infelizmente, muitos pais cometem excessos na disciplina, julgando estar zelando por sua autoridade, quando na verdade estão protegendo seu orgulho. Em vez de moldar a vontade do filho, esmagam seu espírito, humilhando-o. A verdadeira disciplina é feita com amor, da mesma forma como Deus nos corrige. “Porque o Senhor repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem.” Provérbios 3:12

Um abraço
Marcelo

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