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Portanto, vão e façam discípulos... (Mateus 28:19)

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Correndo com leveza

 "Portanto, deixemos de lado tudo o que nos atrapalha e o pecado que se agarra firmemente em nós e continuemos a correr, sem desanimar, a corrida que nos é proposta." Hebreus 12.1

Hoje pela manhã me deparei com este texto em minha leitura devocional. E sempre que leio este versículo, sou lembrado por Deus que pecados me afastam de Deus, mas não apenas eles. Existem outras coisas que não são pecados, mas podem me distanciar Dele. O texto faz distinção entre o pecado que se agarra firmemente em nós e coisas que nos atrapalham.

Um corredor, para ter sucesso no seu objetivo, precisa estar livre de todo peso extra, e que pode atrapalhar o seu desempenho. Um navio, quando está em dificuldades em alto mar, muitas vezes precisa se livrar de volumes que até podem ser importantes, mas que podem dificultar a sua navegação diante de um mar revolto.

Da mesma forma, muitas vezes carrego coisas em minha vida que não são pecados, mas podem me causar peso e embaraço na caminhada. Maus hábitos, comportamentos autodestrutivos, negligências, falta de disciplina, são circunstâncias e atitudes que podem, lentamente, ir colocando pesos sobre mim, e que, certamente, atrapalharão a minha corrida em direção a Cristo, podendo, inclusive, me levar a pecar.

Minha oração é que eu esteja sempre sensível ao Espírito, que habita em minha vida, para que Ele me alerte dos pesos extras que estou carregando, e que podem causar dificuldades na minha jornada. Que a minha mente não fique cauterizada e insensível ao pecado que me rodeia, mas seja transformada pela ação do Espírito (Romanos 12.2).

Um grande abraço,

Marcelo

   

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Palavras Humildes

Texto extraído do livro "As cinco linguagens do amor", de Gary Chapman

O amor faz pedidos, não exigências. Quando exijo coisas de minha esposa, torno-me pai, e ela passa a ser minha filha. É o pai que diz ao filho de 3 anos o que ele precisa fazer e, na verdade, o que ele deve fazer. Isso é necessário, porque uma criança de 3 anos ainda não sabe navegar nas traiçoeiras águas da vida. No casamento, porém, somos parceiros iguais e adultos. é claro que não somos perfeitos, mas continuamos sendo adultos e parceiros. Se quisermos desenvolver um relacionamento íntimo, precisamos conhecer os desejos do outro. Se quisermos nos amar, precisamos saber o que a outra pessoa deseja.

Nossa maneira de expressar esses desejos, porém, é algo muito importante. Se eles forem entendidos como exigências, eliminamos a possibilidade de intimidade e afastamos nosso cônjuge. Se, porém, expressarmos nossas necessidades e desejos na forma de um pedido, damos orientação, não decretos. O marido que diz: "Você poderia cozinhar aquele macarrão delicioso uma noite dessas" está dando à esposa uma orientação sobre como amá-lo e, assim, construir intimidade. em contrapartida, o marido diz: "Será que é impossível ter uma refeição decente por aqui?" age como adolescente, faz uma exigência, e sua esposa provavelmente responderá com algo como: "Tudo bem, então você cozinha". A esposa que diz: "Você acha que daria para limpar as calhas esta semana?" expressa amor ao fazer um pedido. Mas a esposa que diz: "Se você não limpar logo essas calhas, elas vão cair do telhado. Há galhos brotando delas!" colocou um fim no amor e tornou-se uma esposa dominadora.

Ao fazer um pedido a seu cônjuge, você afirma o valor e as capacidades dele. Em essência, está indicando que ele tem algo ou pode fazer alguma coisa que é significativa e valiosa para você. Contudo, ao fazer exigências, você deixa de ser um parceiro e se torna um tirano. Seu cônjuge não se sentirá apoiado, mas menosprezado. O pedido introduz o elemento da escolha. Seu parceiro pode optar por responder ao pedido, porque amar é uma escolha. É isso que torna o amor tão significativo. Saber que meu cônjuge me ama o suficiente para responder a um dos meus pedidos comunica emocionalmente que ele se importa comigo, me respeita, me admira e quer fazer algo para me agradar. Não é possível alcançar o amor emocional por meio de exigências. Meu cônjuge pode, de fato, ceder às minhas exigências, mas isso não é uma expressão de amor; é um ato de medo, de culpa ou de algum outro sentimento, mas não de amor. Assim, o pedido cria a possibilidade de expressar amor, enquanto a exigência sufoca a possibilidade.

terça-feira, 26 de maio de 2015

De exausto a energizado: reabastecendo as reservas de energia

Texto baseado no livro “Simplifique: dez práticas para pôr a alma em ordem”, de Bill Hybels

Diariamente, nos deparamos com pessoas repetindo as mesmas palavras: exausto, sufocado, sobrecarregado, ansioso, isolado, insatisfeito. Quando tentamos buscar uma explicação do porquê que um grande número de pessoas enfrenta estas circunstâncias, percebemos que a vida moderna tornou-se extremamente complexa, como uma engrenagem de uma máquina que nos exige cada vez mais. Quando me encontro absorvido por esta engrenagem, penso: Preciso simplificar a minha vida. Mas o desafio é: como fazer isso?

Trabalho, família, relacionamentos, cuidados com a saúde, preocupações financeiras, atividades ministeriais, todas estas coisas exigem de nós esforço e dedicação para mantermos a engrenagem em movimento. Mas chega um momento em que as forças se exaurem, e nos sentimos cansados. Imediatamente pensamos que precisamos diminuir o ritmo.

Entretanto, a vida simplificada é mais do que fazer menos. Envolve quem Deus nos chamou para ser, com um foco concentrado, objetivo. E implica nos distanciarmos de inúmeras oportunidades menores em prol das poucas para as quais fomos chamados e em função das quais fomos criados. É um estilo de vida que nos permite, quando encostamos a cabeça no travesseiro à noite, concluir com gratidão que investimos bem o dia e que várias responsabilidades da nossa vida estão em harmonia.

Se não mudarmos a nossa maneira de viver, o mundo supercomplicado em que nos encontramos começará a parecer normal, o que é assustador. Nós nos acostumaremos com o ritmo frenético da vida, incapazes de distinguir o importante do essencial. A vida simplificada pede mais do que apenas organizar os armários ou limpar as gavetas da escrivaninha. Ela requer que você ponha a alma em ordem. Examinando as questões fundamentais que o levam a uma vida frenética e erradicando as barreiras que o deixam exausto e sufocado, você pode deixar de fazer o que não importa e começar a edificar a sua vida sobre o que importa. Não existem atalhos para a vida simplificada. Desembaraçar-se da teia sufocante que sobrecarrega a sua vida atual não é para os fracos. Exige trabalho duro e honesto.

Os nossos corações anseiam por um antídoto contra toda impulsividade e hiperatividade presentes na nossa vida. Esse antídoto não é colocar tudo em ordem no nosso mundo exterior, mas sentar-se e ter uma conversa tranquila com Jesus, sem pressa, com calma. E não apenas com Ele, mas também com as pessoas que nos cercam, envolvendo-nos uns com os outros. Relacionamentos. Quando você se encontrar brigando com todos à sua volta, e dizendo para Deus o que fazer, com raiva do mundo, talvez seja a hora de ouvi-Lo dizer: “Vamos nos sentar aqui um pouco, você e eu. Temos alguns problemas para resolver. Você perdeu a conexão comigo em algum lugar lá atrás. Não sabe mais de que lado fica o verdadeiro norte, por isso está girando apenas, sem sair do lugar. Mas Eu tenho um plano melhor.”

Quando seu tanque de energia está vazio, você não tem nada a oferecer a ninguém. Não se pode dar o que não se tem. Envolver-se em atividades de reabastecimento não é uma forma de entretenimento egoísta; é vital para o objetivo de viver sua única e exclusiva vida da melhor maneira possível. Não tenha remorso disso. Priorize e proteja os fluxos de reabastecimento na sua vida.

Cada pessoa tem suas maneiras de reabastecer-se. Quero destacar algumas que julgo importantes:

Conexão com Deus. Quando você está conectado com Deus e tem certeza da própria identidade como Seu filho ou filha, pode empregar toda a sua energia em coisas que satisfazem o projeto Dele para a sua vida. A vida é mais simples quando só temos um plano a cumprir: o de Deus. Manter-se intimamente conectado com Deus é a melhor maneira de recarregarmos as energias.

Família. À medida que mantemos profunda comunhão e relacionamentos saudáveis com a nossa família, nosso tanque de energia se reabastece diariamente. A família é uma das maiores bênçãos em nossas vidas, pois nos exige autenticidade e transparência. Mas também é evidente que nem toda relação familiar nos recarrega. Famílias são sistemas complexos, que exigem intencionalidade. Talvez seja hora de reparar danos causados a alguns integrantes da família, de modo que o relacionamento volte ao normal. Isso fará que eles passem a ser considerados entre as coisas que o reabastecem, não o que esgotam.

Lazer e recreação. O que o recarrega? Ler, cozinhar, praticar esporte, cuidar do jardim, acampar? Seja o que for, precisamos encontrar alguma coisa que recrie energia e vitalidade nas nossas vidas e estabelecermos isso como um fluxo regular de recarga em nossas vidas.

Exercícios físicos e alimentação saudável. Fazer exercícios físicos com regularidade, alimentar-se bem e ter uma boa noite de sono são elementos indispensáveis no processo de reabastecimento. São práticas que mantém o corpo e a mente saudáveis.

Estas são algumas maneiras de nos reabastecermos. Quando estamos com o tanque vazio, corremos perigo. Viver desta maneira pode ter consequências desastrosas. Se você tem passado muito tempo com o tanque vazio, significa que não está vivendo da maneira como Deus o criou para viver. Ele projetou um futuro melhor para você, com mais energia e menos exaustão. Mas viver assim depende de uma decisão, e ações práticas que nos levem a uma vida mais simples e menos desgastante, sem se deixar esmagar pelas engrenagens que nos rodeiam.

Um abraço,

Marcelo




quarta-feira, 6 de maio de 2015

Eu, a árvore e minhas limitações*

“Se o machado está cego e sua lâmina não foi afiada, é preciso golpear com mais força; agir com sabedoria assegura o sucesso"Eclesiastes 10:10 NVI

O que precisamos aprender diante dos nossos desafios e nossas limitações?


1. PRECISAMOS PARAR, PENSAR E BUSCAR AO PAI.

Quando um lenhador utiliza um machado que não está afiado, ele apenas se cansa sem produzir o resultado esperado, que é derrubar a árvore. O machado está cego, e por isso não adianta ele fazer força.

Se olharmos para as nossas vidas, para os grandes desafios, os gigantes que se levantam, não podemos continuar “golpeando com o machado cego” tentando derrubá-lo, fazendo mais força em vão, nos cansando. O que fazer então?

Pare tudo. Pense em quem tem a solução. Deus sabe de tudo o que você precisa e é o único que tem poder para derrubar essa “árvore”.

Ilustração: Jesus, a multidão e os 5 pães e 2 peixes (Mt 14:13-21)

Qual o contexto que podemos visualizar neste texto? Uma multidão de 5 mil homens, sem contar as mulheres e crianças; fome; lugar deserto; calor; sem acesso à comida próxima. Os discípulos, diante daquela situação de limitação, pensaram no óbvio: "Este lugar é deserto e já está ficando tarde...manda embora a multidão para que possam ir aos povoados e comprar comida". Mas Jesus age diante daquelas limitações: “Eles não precisam ir. Dê-lhes vocês algo para comer”. Mais uma vez eles olham para as limitações e entram em crise. Mais uma vez eles olham para o machado cego. “Manda-os embora pois não temos o que fazer diante desta circunstância.”

Jesus, então, vai ensiná-los como agir diante da limitação. Ele toma os 5 pães e 2 peixes e ensina os discípulos o que se faz quando estamos diante de uma “árvore monstruosa”, de um grande desafio. Ele buscou o Pai com fé.

2. PRECISAMOS PEDIR SABEDORIA A DEUS. 

O que o autor está nos ensinando é que tentar golpear a árvore com o instrumento cego, errado, vai exigir de nós mais força, e sem sucesso. Então, aja com sabedoria. Continuar batendo mais com o machado cego, vai ser tolice.

Muitas vezes estamos diante de desafios grandes, como pais, filhos, líderes de células, discipuladores, empresários, patrões, funcionários, alunos, mães, e não sabemos como agir, como proceder. Peça sabedoria a Deus. Não insista em derrubar a árvore com o machado cego. Ele vai guiar você com sucesso.

3. QUANDO VOCÊ AGIR ASSIM DIANTE DAS LIMITAÇÕES, VOCÊ SE TORNARÁ INFLUÊNCIA POSITIVA PARA OS OUTROS.

Deus está procurando homens e mulheres que abram mão dos seus machados cegos e dirijam os seus esforços na direção do Pai, que pode todas as coisas, influenciando pessoas em suas casas, em sua família, para os seus liderados, para os seus discípulos, para os seus amigos de trabalho, para os seus vizinhos, para o mundo.

Mensagem ministrada pelo Pr. Tércio em 03/05/2015

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O casamento como uma nova disciplina espiritual*

Toda disciplina visa dar a liberdade para usufruir algo especial, melhor e recompensador. Todo relacionamento exige a disciplina da sujeição, capaz de nos conduzir ao ápice do prazer relacional. Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo Ef 5:21

Deus nos uniu para o mútuo aperfeiçoamento. Sujeitar-se ao outro significa renunciar a minha vontade para submissão mútua.

Poderia Deus ter designado o casamento para nos santificar mais do que nos satisfazer?

Um dos grandes desafios do meu casamento são minhas refeições. Comida sempre foi algo importante para mim, almoço, um sanduíche bem feito, um suco bem preparado, etc, costumes do menino mimado. Quando feito fora do padrão ou às pressas sempre me levaram a conjecturar sobre a validade e a intensidade do amor da minha esposa por mim.

Num lance de romantismo ela diria: “Você sabe que eu sempre vou te amar”, mas na minha mente vinha a consideração: “Não preciso que você me ame para sempre, só faça isso por alguns minutos e de modo bem específico.” Como assim? Um pouco mais de esforço em priorizar o meu gosto, minha fome, ou minha tranquilidade. O Espírito de Deus tem me mostrado que eu mesmo poderia estar preparando a minha comida e que eu nunca fui capaz de preparar um sanduíche para ela. Será que o meu amor é tão raso que me faz duvidar do amor dela por mim por causa de uma simples refeição? Passei a considerar minhas carências como fruto da minha imaturidade, insatisfação, insegurança.

Somos tão imaturos que nos zangamos quando o cônjuge não supre as nossas necessidades (legítimas ou ilegítimas). Comecei a refletir na suficiência divina, no meu egocentrismo e no real propósito do casamento. Quando alguém pergunta sobre como é o casamento, podemos afirmar que se alguém quer liberdade plena e tempo para servir ao Senhor – melhor é não casar. Mas, se queremos nos tornar mais semelhantes a Cristo, não há melhor meio do que a convivência matrimonial.

O casamento revela facetas do nosso caráter que não poderiam ser reveladas e tratadas em outro contexto. O casamento é um laboratório de transformação constante – 24h por dia, um compromisso constante.

O isolamento, o mosteiro e a superficialidade dos relacionamento casuais não são capazes de revelar as deficiências de caráter nem propiciar ambiente para o legítimo e completo aperfeiçoamento. A “vida a dois” traz grandes dificuldades e lutas. Não basta orar mais, ler mais ou frequentar mais a igreja para saber lidar com tais dificuldades. Há uma questão mais profunda que nos propicia um melhor entendimento sobre a vida conjugal: “E se o propósito de Deus for além do nosso conforto, do nosso bem-estar pessoal, do nosso mimo, das nossas demandas e necessidades? E se Deus criou o casamento para que nos tornássemos mais santos e não satisfeitos?”

Deus não é contra a felicidade pessoal, como também santidade não exclui felicidade. Mas ver o casamento como disciplina espiritual, ou ferramenta para o meu aperfeiçoamento muda muita coisa e me libera para ser verdadeiramente feliz.

Nele eu me conheço melhor, percebo o que de mau existe em mim e tenho a oportunidade de praticar as obras inerentes ao novo homem que sou: compaixão, misericórdia, perdão, longanimidade, honra, respeito, servitude, a maior oportunidade de exercer o AMOR DE DEUS - passo a considerar que meu egoísmo me impedia de ser servo, compreensivo e menos exigente para com a minha companheira. Casamento é um convite à crucificação do Eu.

As pequenas doses de egoísmo vão nos levando à impaciência, à amargura, à acusação mútua e à covarde fuga da presença do Senhor.

Gary Thomas afirma que “Pessoas desistem do relacionamento, não porque o amor tenha acabado, mas porque descobrem o lado podre do seu caráter e querem fugir para um novo relacionamento onde tais características são desconhecidas”. A resposta não está na mudança de parceiro, mas na mudança do nosso “eu”.

Esta é a proposta divina para a felicidade conjugal. Eis as ferramentas que nos ajudarão a crescer em santidade:

UM CORAÇÃO DE SERVO – Jo 13:14-15 (Gestos de submissão, honra e servitude)

UM CORAÇÃO LONGÂNIMO – A projeção da mulher ideal nos escraviza ao sofrimento e à frustração. Longanimidade nos convida a considerar que somos dois pecadores lutando para manter o compromisso de amor para sempre. O desafio não é continuar amando a pessoa que imaginamos casar, mas aquela com quem realmente nos casamos.

UM CORAÇÃO PERDOADOR – O princípio do perdão

Nosso cônjuge deve ser o termômetro de Deus – nosso relacionamento fala mais sobre como eu estou com Deus do que como eu estou com ele.


* Pr. Armando Bispo, IBC Fortaleza



terça-feira, 18 de março de 2014

Influência

Hoje meu filho de 7 anos me disse: "Tive uma ideia brilhante: vou ler toda a Biblia, da primeira a última letra." E começou.

Tal afirmação me trouxe dois sentimentos.

Primeiro, que consegui formar dois leitores. Tenho este hábito. Sempre estou lendo um livro. E isso certamente os influenciou. Ler é um ótimo vício. Abre a mente e os horizontes, estimula a criatividade e melhora o vocabulário e a escrita.

Se isso ainda não faz parte da tua vida, te desafio a escolher um bom livro e começar a ler imediatamente.

O outro sentimento é de que talvez eu e minha esposa estejamos no caminho certo na formação de nossos filhos.

Inculcar na mente e coração de nossos filhos valores cristãos é um grande desafio nos dias atuais, pois quase tudo que nos cerca se opõe a Deus e a Sua revelação através de Jesus. Por isso, quando percebemos que a nossa influência está sendo maior que outras que os cercam, devemos celebrar.

Agora, motivados pela disposição de nosso filho caçula, toda familia embarcará nessa viagem através da Biblia. Não sei quanto tempo levaremos, mas posso assegurar que passaremos bons momentos juntos, lendo o livro que tem um poder transformador sem igual.

Abracos,

Marcelo

sábado, 18 de janeiro de 2014

"Versões", de Luiz Fernando Veríssimo

Vivemos cercados pelas nossas alternativas, pelo que poderíamos ter sido. Ah, se apenas tivéssemos acertado aquele número (unzinho e eu ganhava a sena acumulada), topado aquele emprego, completado aquele curso, chegado antes, chegado depois, dito sim, dito não, ido pra Londrina, casado com a Doralice, feito aquele teste…

Agora mesmo neste bar imaginário em que estou bebendo pra esquecer o que não fiz – aliás, o nome do bar é imaginário – sentou um cara do meu lado direito e se apresentou:

- Eu sou você, se tivesse feito aquele teste no botafogo.

E ele tem mesmo a minha idade e a minha cara. E o mesmo desconsolo.

- Por quê? Sua vida não foi melhor do que a minha?

- Durante um certo tempo, foi. Cheguei a titular. Cheguei à seleção. Fiz um grande contrato. Levava uma grande vida. Até que um dia…

- Eu sei, eu sei… – disse alguém sentado ao lado dele.

Olhamos para o intrometido… Tinha a nossa idade e a nossa cara e não parecia mais feliz do que nós. Ele continuou:

- Você hesitou entre sair e não sair do gol. Não saiu, levou o único gol do jogo, caiu em desgraça, largou o futebol e foi ser um medíocre propagandista.

- Como é que você sabe?

- Eu sou você, se tivesse saído do gol. Não só peguei a bola como me mandei para o ataque com tanta perfeição que fizemos o gol da vitória. Fui considerado o herói do jogo. No jogo seguinte, hesitei entre me atirar nos pés de um atacante e não me atirar. Como era um herói, me atirei… Levei um chute na cabeça. Não pude fazer mais nada, Nem propagandista. Ganho uma miséria do INSS e só faço isto: bebo e me queixo da vida. Se não tivesse ido nos pés do atacante…

- Ele chutaria pra fora.

Quem falou foi o outro sósia nosso, ao lado dele, que em seguida se apresentou.

- Eu sou você se não tivesse ido naquela bola. Não faria diferença. Não seria gol. Minha carreira continuou. Fiquei cada vez mais famoso, e agora com fama de sortudo também. Fui vendido para o futebol europeu, por uma fábula. O primeiro goleiro brasileiro a ir jogar na Europa. Embarquei com festa no Rio…

- E o que aconteceu? – perguntamos os três em uníssono.

- Lembra aquele avião da Varig que caiu na chegada em Paris?

- Você…

- Morri com 28 anos.

Bem que tínhamos notado sua palidez.

- Pensando bem, foi melhor não fazer aquele teste no Botafogo…

- E ter levado o chute na cabeça…

- Foi melhor – continuou – ter ido fazer o concurso para o serviço público naquele dia. Ah, se eu tivesse passado…

- Você deve estar brincando.

Disse alguém a minha esquerda. Tinha a minha cara, mas parecia mais velho e desanimado.

- Quem é você?

- Eu sou você, se tivesse entrado para o serviço público.

Vi que todas as banquetas do bar à esquerda dele estavam ocupadas por versões de mim no serviço público, uma mais desiludida que a outra. As consequências de anos de decisões erradas, alianças fracassadas, pequenas traições, promoções negadas e frustrações. Olhei em volta. Eu lotava o bar. Todas as mesas estavam ocupadas por minhas alternativas e nenhuma parecia estar contente. Comentei com o barman que, no fim, quem estava com o melhor aspecto, ali, era eu mesmo. O barman fez que sim com a cabeça, tristemente. Só então notei que ele também tinha a minha cara, só com mais rugas.

- Quem é você? – perguntei.

- Eu sou você, se tivesse casado com a Doralice.

- E…?

Ele não respondeu. Só fez um sinal, com o dedão virado pra baixo.