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Para pensar

Portanto, vão e façam discípulos... (Mateus 28:19)

terça-feira, 18 de março de 2014

Influência

Hoje meu filho de 7 anos me disse: "Tive uma ideia brilhante: vou ler toda a Biblia, da primeira a última letra." E começou.

Tal afirmação me trouxe dois sentimentos.

Primeiro, que consegui formar dois leitores. Tenho este hábito. Sempre estou lendo um livro. E isso certamente os influenciou. Ler é um ótimo vício. Abre a mente e os horizontes, estimula a criatividade e melhora o vocabulário e a escrita.

Se isso ainda não faz parte da tua vida, te desafio a escolher um bom livro e começar a ler imediatamente.

O outro sentimento é de que talvez eu e minha esposa estejamos no caminho certo na formação de nossos filhos.

Inculcar na mente e coração de nossos filhos valores cristãos é um grande desafio nos dias atuais, pois quase tudo que nos cerca se opõe a Deus e a Sua revelação através de Jesus. Por isso, quando percebemos que a nossa influência está sendo maior que outras que os cercam, devemos celebrar.

Agora, motivados pela disposição de nosso filho caçula, toda familia embarcará nessa viagem através da Biblia. Não sei quanto tempo levaremos, mas posso assegurar que passaremos bons momentos juntos, lendo o livro que tem um poder transformador sem igual.

Abracos,

Marcelo

sábado, 18 de janeiro de 2014

"Versões", de Luiz Fernando Veríssimo

Vivemos cercados pelas nossas alternativas, pelo que poderíamos ter sido. Ah, se apenas tivéssemos acertado aquele número (unzinho e eu ganhava a sena acumulada), topado aquele emprego, completado aquele curso, chegado antes, chegado depois, dito sim, dito não, ido pra Londrina, casado com a Doralice, feito aquele teste…

Agora mesmo neste bar imaginário em que estou bebendo pra esquecer o que não fiz – aliás, o nome do bar é imaginário – sentou um cara do meu lado direito e se apresentou:

- Eu sou você, se tivesse feito aquele teste no botafogo.

E ele tem mesmo a minha idade e a minha cara. E o mesmo desconsolo.

- Por quê? Sua vida não foi melhor do que a minha?

- Durante um certo tempo, foi. Cheguei a titular. Cheguei à seleção. Fiz um grande contrato. Levava uma grande vida. Até que um dia…

- Eu sei, eu sei… – disse alguém sentado ao lado dele.

Olhamos para o intrometido… Tinha a nossa idade e a nossa cara e não parecia mais feliz do que nós. Ele continuou:

- Você hesitou entre sair e não sair do gol. Não saiu, levou o único gol do jogo, caiu em desgraça, largou o futebol e foi ser um medíocre propagandista.

- Como é que você sabe?

- Eu sou você, se tivesse saído do gol. Não só peguei a bola como me mandei para o ataque com tanta perfeição que fizemos o gol da vitória. Fui considerado o herói do jogo. No jogo seguinte, hesitei entre me atirar nos pés de um atacante e não me atirar. Como era um herói, me atirei… Levei um chute na cabeça. Não pude fazer mais nada, Nem propagandista. Ganho uma miséria do INSS e só faço isto: bebo e me queixo da vida. Se não tivesse ido nos pés do atacante…

- Ele chutaria pra fora.

Quem falou foi o outro sósia nosso, ao lado dele, que em seguida se apresentou.

- Eu sou você se não tivesse ido naquela bola. Não faria diferença. Não seria gol. Minha carreira continuou. Fiquei cada vez mais famoso, e agora com fama de sortudo também. Fui vendido para o futebol europeu, por uma fábula. O primeiro goleiro brasileiro a ir jogar na Europa. Embarquei com festa no Rio…

- E o que aconteceu? – perguntamos os três em uníssono.

- Lembra aquele avião da Varig que caiu na chegada em Paris?

- Você…

- Morri com 28 anos.

Bem que tínhamos notado sua palidez.

- Pensando bem, foi melhor não fazer aquele teste no Botafogo…

- E ter levado o chute na cabeça…

- Foi melhor – continuou – ter ido fazer o concurso para o serviço público naquele dia. Ah, se eu tivesse passado…

- Você deve estar brincando.

Disse alguém a minha esquerda. Tinha a minha cara, mas parecia mais velho e desanimado.

- Quem é você?

- Eu sou você, se tivesse entrado para o serviço público.

Vi que todas as banquetas do bar à esquerda dele estavam ocupadas por versões de mim no serviço público, uma mais desiludida que a outra. As consequências de anos de decisões erradas, alianças fracassadas, pequenas traições, promoções negadas e frustrações. Olhei em volta. Eu lotava o bar. Todas as mesas estavam ocupadas por minhas alternativas e nenhuma parecia estar contente. Comentei com o barman que, no fim, quem estava com o melhor aspecto, ali, era eu mesmo. O barman fez que sim com a cabeça, tristemente. Só então notei que ele também tinha a minha cara, só com mais rugas.

- Quem é você? – perguntei.

- Eu sou você, se tivesse casado com a Doralice.

- E…?

Ele não respondeu. Só fez um sinal, com o dedão virado pra baixo.

domingo, 12 de janeiro de 2014

As preocupações da vida

“Portanto eu digo: Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante que a comida, e o corpo mais importante que a roupa? Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? “Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé? Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer?’ ou ‘Que vamos beber?’ ou ‘Que vamos vestir?’ Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas. Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas serão acrescentadas a vocês. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal. (Mateus 6:25-34 NVI)

O texto acima está inserido num contexto que nos leva a refletirmos sobre as inquietações da vida que vivemos, e de que forma as encaramos. As preocupações mencionadas por Cristo são absolutamente legítimas (o que comer, o que vestir), e fazem parte do nosso cotidiano. Entretanto, não podemos permitir que essas preocupações ocupem um lugar demasiado em nossas vidas.

Se observarmos o texto imediatamente anterior, veremos que Jesus alertou os seus ouvintes sobre o risco causado pela ambição de acumular de riquezas materiais. O apego exagerado ao dinheiro pode  torná-lo senhor em nossas vidas, e nos levar a buscá-lo de todas as formas, sem considerar os prejuízos que podem ser causados por tal atitude. Por isso Jesus ensinou que não deveríamos nos preocupar com as nossas necessidades básicas (comer, vestir), pois Ele as supriria. 

O objetivo de Jesus, aqui, era alertar os seus ouvintes sobre o perigo de ser distraído pela ansiedade causada pelas preocupações da vida, que nos levaria a perdermos o foco em relação ao que realmente importa, que é a busca pelo Reino de Deus, por um relacionamento mais próximo com Cristo. De tanto olharmos para as coisas terrenas, esquecemos de Deus. Voltamos o nosso olhar para as preocupações desta vida, e nos deixamos levar pela ansiedade. 

É importante ressaltar que em nenhum momento Jesus disse que não devemos pensar sobre essas coisas. "Não andeis ansiosos" não tem esse significado. Precisamos buscar meios de sustento no presente e provisão para o futuro. Entretanto, não podemos deixar que isso se torne a razão de nossa existência. Muitos dedicam-se exclusivamente em adquirir bens e riquezas, e se deixam tomar por uma ansiedade que lhes mantém constantemente preocupados em relação a este assunto. Contudo, não percebem que este estilo de vida tem um grande potencial de minar o seu relacionamento com Deus, confiando mais em sua capacidade do que n'Ele.

A ambição que podemos ter encontra-se em Mateus 6:33: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus." Este deve ser o nosso principal objetivo: buscar a Deus em primeiro lugar. As questões básicas de sobrevivência serão supridas por Ele, pois como autor da vida, Ele se responsabiliza em mantê-la. Todas as demais coisas podem ser buscadas, desde que não sejam objeto de demasiada preocupação, e colocadas no seu devido lugar. Quando invertemos essa lógica, nos tornamos materialistas e entramos num ritmo frenético para adquirir cada vez mais bens e riquezas, levados pela pressão de uma sociedade cada vez mais individualista e consumista.

Eis aqui o principal elemento que nos permite vivermos uma vida na contramão desta sociedade: a fé em Deus. Quando depositamos nEle a nossa confiança, nossas ansiedades dão lugar a uma convicção de que nossas necessidades serão supridas pelo nosso Criador: "Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante que a comida, e o corpo mais importante que a roupa?"  A partir do momento que compreendemos esse princípio fundamental da existência, desaparecerão os cuidados, ansiedades e preocupações, e como filhos do Pai, caminharemos em paz e serenidade, na direção do propósito de Deus para as nossas vidas.