Texto de Daniel B. Wallace, Th.M, Ph.D.,
Professor Adjunto de Estudos do Novo Testamento Seminário Teológico de Dallas.
Você já deve ter ouvido
umas mil vezes: “Não se preocupe, tudo vai dar certo!” Este é o eterno
otimismo que nasce, não das provações da realidade, mas dos desejos da
imaginação do sonho Americano, do faz-de-conta de Hollywood, ou da pura
ingenuidade. Todos sabemos que não o é de todo verdade. Conhecemos casos
de crianças que foram abatidas por um câncer ou por um motorista
bêbado. Conhecemos casos de viciados em drogas que vieram de bons lares,
de homens de família que perderam seus empregos, de soldados que
retornaram do campo de batalha com um membro a menos. Estamos à par de
incontáveis tragédias e sofrimentos desnecessários, mesmo assim
repetimos para nossos filhos sem sequer pensar duas vezes: “Não se
preocupe; tudo vai dar certo.”
Este sentimento não é
novo; não começou na modernidade. Os antigos gregos e romanos diziam
coisas semelhantes a seus filhos sabendo que suas palavras eram ocas. E,
o apóstolo Paulo também disse algo deste tipo. A diferença é que Paulo
não escreveu um cheque em branco otimista. Ele condicionou seu
sentimento com importantes qualificadores, e ele definiu o que é “bem”
como algo que está além do conforto e das riquezas.
Diz-se que no campo da
imobiliária, há três princípios fundamentais que alguém deve seguir
quando estiver comprando uma casa: o local, o local, e o local. Na
interpretação das Escrituras, há também três princípios fundamentais: o
contexto, o contexto, e o contexto. Romanos 8:28 não é uma exceção a
esta regra. Se observarmos este texto em seu contexto, logo entenderemos
sua intenção.
O contexto geral de
Romanos 8:28 é um em que Paulo trata do viver pelo poder do Espírito em
meio ao sofrimento e a dor. Paulo não era indiferente ao sofrimento.
Suas várias experiências à ponto de morte, açoitamentos, prisões, e
perseguições foram suficientes para erradicar qualquer ingenuidade que
pudesse se ocultar em seu coração. No contexto imediato, dentro do
próprio versículo, Paulo expressa os pré-requisitos para o que é “bom”
(ou “bem”, NT) acontecer: “sabemos que todas as coisas contribuem
juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são
chamados segundo o seu propósito” (Rom 8:28, BRP). Paulo não está dando
esta promessa para todas as pessoas, mas apenas para aqueles “que amam a
Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”
Mas o que isto
significa? Aqueles que amam a Deus são, de acordo com este contexto,
cristãos, porque eles são chamados de acordo com o propósito de Deus
(note o v. 30: os “chamados” são também os “justificados,” que serão
“glorificados”). Alguns entendem o particípio presente “que amam”
(agapwsin)
como uma condição temporal, como se ele quisesse dizer: “Enquanto você
amar Deus, as coisas vão cooperar, mas quando você não estiver mais
amando a Deus, as coisas não vão cooperar para o seu bem.” Esta
interpretação, todavia, é improvável. Primeiro, o tempo desta construção
grega é muito provavelmente um presente gnômico, assim indicando uma
característica, em vez de uma condição temporal. Segundo, os
versículos seguintes (vv. 29-30) falam da nossa conformidade a Cristo,
nossa glorificação, como um resultado
inevitável daqueles que amam a Deus. E isto não depende do quanto nós amamos a Deus, mas da obra que Cristo fez na cruz. Paulo conclui este capítulo explicitamente declarando que
nada pode nos separar do amor de Deus (vv. 38-39). E, por
inferência, isto incluiria até aqueles lapsos temporários do nosso amor
pelo Salvador.
O que é, então, o
“bem”? Isto está definido para nós, à princípio pelo menos, no versículo
29; um dos versículos esquecidos das Escrituras: “Porque os que dantes
conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu
Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (BRP). O
“bem” não é o nosso conforto, riqueza, ou saúde. É a conformidade a
Cristo! Este “bem” é, portanto, totalmente definido no próximo
versículo: “E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que
chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também
glorificou” (BRP). Em fim, todas as coisas cooperam para trazer cada
cristão à conformidade de Cristo, para trazer cada cristão à glória.
Paulo está tão certo de que isto se realizará, que ele fala da nossa
glorificação no tempo pretérito. Ele usa o que é chamado de “aoristo
proléptico;” é um mecanismo da língua grega que o autor usa quando está
querendo dizer algo que é tão bom como se já tivesse acontecido. Não
apenas isto, mas ninguém está perdido entre predestinação e
glorificação. Paulo não diz “alguns daqueles”, nem mesmo “a maioria
daqueles”, quando descreve cada estágio da jornada da salvação. Da
predestinação à glorificação, ele usa simplesmente “aqueles”
(ouv ou toutouv); o pronome, que se repete, refere-se ao grupo inteiro que foi mencionado antes.
Ninguém vai perder o trem na jornada da salvação.
Quando lemos Rom 8:28
em seu contexto, nós podemos dar uma resposta positiva à questão da dor e
do sofrimento no mundo. Não vemos nada de bom na miséria e nos
desastres deste mundo, mas este mundo não é toda a realidade que existe.
Há um “até então...”. Há um lugar além do horizonte do qual nossos
sentidos podem apreender, e é mais real e mais duradouro do que o que
experimentamos nesta casca mortal. Deus está usando o presente, até
mesmo um presente miserável, para nos conformar à imagem do seu Filho.
Se definirmos o que é “bom” como apenas o que podemos ver nesta vida,
então perdemos a mensagem deste texto. Pois, como Paulo havia dito antes
no mesmo capítulo, “Porque para mim tenho por certo que as aflições
deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de
ser revelada” (Rom 8:18, BRP). Os cristãos ocidentais, especialmente os
cristãos americanos, tendem a deturpar o sentido de textos como Rom
8:28. Se nossas vidas forem confortáveis, se tivermos riquezas, boa
saúde, então, está tudo bem. Mas, este não era o “bem” que Paulo tinha
em mente, e este não é o alvo da vida cristã.
Extraído do site www.hermeneutica.com
Colaboração do amigo Vinicius do Nascimento Lampert
Blog criado para compartilhar idéias, informações, discussões, artigos, dicas, etc, além de ser um espaço para manifestar o amor de Deus.
Para pensar
Portanto, vão e façam discípulos... (Mateus 28:19)
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Tênis e Frescobol, por Rubem Alves
Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são
de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do
tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e
ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol
são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.
Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual
concordo inteiramente. Dizia ele: “Ao pensar sobre a possibilidade do
casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: “Você crê que
seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?”
Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o
tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.”
Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres
da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois
os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no
filme “O império dos sentidos”. Por isso, quando o sexo já estava morto
na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o
ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa,
conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava
e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou
da palavra – é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que
ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o
corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao
que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é
ficar repetindo o tempo todo: “Eu te amo, eu te amo…” Barthes advertia:
“Passada a primeira confissão, “eu te amo” não quer dizer mais nada.” É
na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez
anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia
Prado: “Erótica é a alma.”
O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a
sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a
bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que
tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para
aí que ele vai dirigir a sua cortada – palavra muito sugestiva, que
indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O
prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o
jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de
jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.
O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas
raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum
dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de
propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no
lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário
porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém
ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra – pois o que se deseja é
que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação
precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o
gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir… E o que errou pede
desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem
importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca
pontos…
A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de
palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá…
Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à
espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o
sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão… O que
se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem
ganha sempre perde.
Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve
ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do
coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as
bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem – cresce o
amor… Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o
outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim…
Rubem Alves
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
A Grande Aventura Masculina
Prezados,
Na aba "Dicas de livros", coloquei uma breve sinopse deste excelente livro. Alguns amigos me pediram para adquiri-lo lá na IBMS, pois o preço estava muito bom. Entretanto, os exemplares já haviam terminado. Caso seja feita uma nova compra, aviso.
Um abraço
Marcelo
Na aba "Dicas de livros", coloquei uma breve sinopse deste excelente livro. Alguns amigos me pediram para adquiri-lo lá na IBMS, pois o preço estava muito bom. Entretanto, os exemplares já haviam terminado. Caso seja feita uma nova compra, aviso.
Um abraço
Marcelo
Pausa para ouvir
Estou relendo o livro Celebração da Disciplina, de Richard Foster (veja uma breve sinopse na aba Dicas de Livros). E está sendo ótimo, novamente. E o mais interessante é que ele voltou às minhas mãos quase que por acaso. Enquanto espero a chegada de As Crônicas de Nárnia e Coração Selvagem, comprados pela internet, busquei-o aleatoriamente na estante, para ler algo enquanto os novos livros não chegam. Entretanto, não convivo bem com o acaso. Creio em planos e propósitos divinos. Com este livro não foi diferente, e explico o porquê.
Estou encerrando uma semana bastante agitada. Sofri uma queda que me afastou três dias do trabalho, os meninos tiveram uma semana intensa na escola, com passeios, trabalhos, festas, lanches variados, fomos a dois aniversários, um casamento e um velório. Some-se a tudo isso um desacerto com a esposa, ruídos na comunicação, e o resultado será uma semana conturbada e cansativa. Que bom que hoje é sexta-feira. É dia de ser mais feliz.
E tudo isso acontece justamente num momento em que estou querendo muito ouvir Deus. Estou precisando de Sua orientação, Sua direção, Seu mover em minha vida. Todavia, toda essa agitação não me permitiu fazer isso. Até a leitura do livro foi deixada de lado.
Mas hoje consegui retomá-la. E ao recomeçar a leitura, deparei-me com a primeira disciplina mencionada por Foster: a meditação, justamente o que buscava (será que foi acaso?). Li algumas frases interessantes, que compartilho:
"Na sociedade contemporânea, o Adversário tem especialização em três áreas: ruído, pressa e multidões. Se ele conseguir nos manter debaixo de um amontoado de coisas, descansará satisfeito."
Foi exatamente o que percebi. Que o corre-corre não me permitiu ouvir Deus. Não que Ele deixasse de falar, mas eu não tinha tempo para ouvi-lo. O que eu devia ter feito era ter insistido em cumprir o tempo que reservo no meu dia para que isso acontecesse. Isso é disciplina. Isso é indispensável para vivermos: deixarmos Deus falar ao nosso coração.
Foster define a meditação de uma forma bastante simples:
"A meditação cristã, numa definição simples, é a capacidade de ouvir a voz de Deus e obedecer à sua Palavra. Simples assim. Gostaria de torná-la mais difícil para os que gostam de complicar; no entando, ela não envolve nenhum mistério oculto, nenhum mantra secreto, nenhuma ginástica mental, nenhum mergulho esotérico para atingir a consciência cósmica. A verdade é que o grandioso Deus [...] deseja ter comunhão conosco."
Praticarmos essa disciplina é tão vital quanto nos alimentarmos, pois ela nos permite ouvirmos a voz suave de Deus, nos orientando nas horas mais turbulentas de nossa vida. Sei que ainda preciso andar muito por essa estrada, mas o primeiro passo é o reconhecimento da necessidade. E esse passo eu já dei.
Um abraço
Marcelo
Reencontro de Marcelo (Banda Kadoshi) com sua mãe
Queridos,
Hoje assisti este vídeo, que conta uma história muito bonita. Sei que histórias de reencontros são sempre emocionantes, mas essa me tocou profundamente, pois mostra, com clareza, que quando Deus tem um plano para uma vida, nada pode impedi-lo.
Espero que também gostem. O link está abaixo.
Um abraço
Marcelo
Assista "Programa Eliana | Reencontro - 05/06/2011" no YouTube
Hoje assisti este vídeo, que conta uma história muito bonita. Sei que histórias de reencontros são sempre emocionantes, mas essa me tocou profundamente, pois mostra, com clareza, que quando Deus tem um plano para uma vida, nada pode impedi-lo.
Espero que também gostem. O link está abaixo.
Um abraço
Marcelo
Assista "Programa Eliana | Reencontro - 05/06/2011" no YouTube
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