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Portanto, vão e façam discípulos... (Mateus 28:19)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O casamento como uma nova disciplina espiritual*

Toda disciplina visa dar a liberdade para usufruir algo especial, melhor e recompensador. Todo relacionamento exige a disciplina da sujeição, capaz de nos conduzir ao ápice do prazer relacional. Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo Ef 5:21

Deus nos uniu para o mútuo aperfeiçoamento. Sujeitar-se ao outro significa renunciar a minha vontade para submissão mútua.

Poderia Deus ter designado o casamento para nos santificar mais do que nos satisfazer?

Um dos grandes desafios do meu casamento são minhas refeições. Comida sempre foi algo importante para mim, almoço, um sanduíche bem feito, um suco bem preparado, etc, costumes do menino mimado. Quando feito fora do padrão ou às pressas sempre me levaram a conjecturar sobre a validade e a intensidade do amor da minha esposa por mim.

Num lance de romantismo ela diria: “Você sabe que eu sempre vou te amar”, mas na minha mente vinha a consideração: “Não preciso que você me ame para sempre, só faça isso por alguns minutos e de modo bem específico.” Como assim? Um pouco mais de esforço em priorizar o meu gosto, minha fome, ou minha tranquilidade. O Espírito de Deus tem me mostrado que eu mesmo poderia estar preparando a minha comida e que eu nunca fui capaz de preparar um sanduíche para ela. Será que o meu amor é tão raso que me faz duvidar do amor dela por mim por causa de uma simples refeição? Passei a considerar minhas carências como fruto da minha imaturidade, insatisfação, insegurança.

Somos tão imaturos que nos zangamos quando o cônjuge não supre as nossas necessidades (legítimas ou ilegítimas). Comecei a refletir na suficiência divina, no meu egocentrismo e no real propósito do casamento. Quando alguém pergunta sobre como é o casamento, podemos afirmar que se alguém quer liberdade plena e tempo para servir ao Senhor – melhor é não casar. Mas, se queremos nos tornar mais semelhantes a Cristo, não há melhor meio do que a convivência matrimonial.

O casamento revela facetas do nosso caráter que não poderiam ser reveladas e tratadas em outro contexto. O casamento é um laboratório de transformação constante – 24h por dia, um compromisso constante.

O isolamento, o mosteiro e a superficialidade dos relacionamento casuais não são capazes de revelar as deficiências de caráter nem propiciar ambiente para o legítimo e completo aperfeiçoamento. A “vida a dois” traz grandes dificuldades e lutas. Não basta orar mais, ler mais ou frequentar mais a igreja para saber lidar com tais dificuldades. Há uma questão mais profunda que nos propicia um melhor entendimento sobre a vida conjugal: “E se o propósito de Deus for além do nosso conforto, do nosso bem-estar pessoal, do nosso mimo, das nossas demandas e necessidades? E se Deus criou o casamento para que nos tornássemos mais santos e não satisfeitos?”

Deus não é contra a felicidade pessoal, como também santidade não exclui felicidade. Mas ver o casamento como disciplina espiritual, ou ferramenta para o meu aperfeiçoamento muda muita coisa e me libera para ser verdadeiramente feliz.

Nele eu me conheço melhor, percebo o que de mau existe em mim e tenho a oportunidade de praticar as obras inerentes ao novo homem que sou: compaixão, misericórdia, perdão, longanimidade, honra, respeito, servitude, a maior oportunidade de exercer o AMOR DE DEUS - passo a considerar que meu egoísmo me impedia de ser servo, compreensivo e menos exigente para com a minha companheira. Casamento é um convite à crucificação do Eu.

As pequenas doses de egoísmo vão nos levando à impaciência, à amargura, à acusação mútua e à covarde fuga da presença do Senhor.

Gary Thomas afirma que “Pessoas desistem do relacionamento, não porque o amor tenha acabado, mas porque descobrem o lado podre do seu caráter e querem fugir para um novo relacionamento onde tais características são desconhecidas”. A resposta não está na mudança de parceiro, mas na mudança do nosso “eu”.

Esta é a proposta divina para a felicidade conjugal. Eis as ferramentas que nos ajudarão a crescer em santidade:

UM CORAÇÃO DE SERVO – Jo 13:14-15 (Gestos de submissão, honra e servitude)

UM CORAÇÃO LONGÂNIMO – A projeção da mulher ideal nos escraviza ao sofrimento e à frustração. Longanimidade nos convida a considerar que somos dois pecadores lutando para manter o compromisso de amor para sempre. O desafio não é continuar amando a pessoa que imaginamos casar, mas aquela com quem realmente nos casamos.

UM CORAÇÃO PERDOADOR – O princípio do perdão

Nosso cônjuge deve ser o termômetro de Deus – nosso relacionamento fala mais sobre como eu estou com Deus do que como eu estou com ele.


* Pr. Armando Bispo, IBC Fortaleza



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