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Portanto, vão e façam discípulos... (Mateus 28:19)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Estudos no Sermão do Monte - Capítulo IV

O capítulo IV tem por título Bem-aventurados os humildes de espírito, e marca o início do estudo específico do sermão. Conforme veremos, não é acidental que a primeira bem-aventurança diga respeito aos humildes de espírito, pois essa é a característica fundamental do cristão, do cidadão do reino dos céus, e todas as demais são resultantes dessa primeira qualidade. Conforme explica Lloyd-Jones, "...ela indica um esvaziamento, ao passo que as demais apontam para uma plenitude. Não poderemos ser cheios enquanto não formos primeiramente esvaziados." Ela deixa evidente que não existe a possibilidae de subirmos em direção ao elevado nível de vida cristã que o sermão nos exige por nossas próprias forças, sem reconhecermos a nossa dependência de Deus.
Além disso, ela vai de encontro ao espírito que domina a sociedade contemporânea, que dá grande ênfase a autodependência, autoconfiança e auto-expressão. A idéia dominante é: se alguém quiser vencer neste mundo, então que acredite em si mesmo. Essa é a idéia que domina as vidas dos homens da atualidade. Entretanto, ressalta o autor, precisamos compreender a "humildade de espírito" a partir de algumas idéias negativas. Ser "humilde de espírito" não quer dizer que deveríamos ser tímidos, fracos ou acovardados, nem exige supressão da personalidade. Essa qualidade aponta para a completa ausência de orgulho pessoal, para a completa ausência de segurança própria e autodependência. Ela indica a consciência de que nada representamos na presença de Deus. Ser "humilde de espírito" significa, nas palavras de Lloyd-Jones, "...que se alguém é crente autêntico, então não está dependendo dos seus dotes naturais. Os humildes de espírito não dependem do fato que pertencem a determinadas famílias; não se vangloriam de pertencer a certas raças ou nacionalidades. Essas pessoas também não edificam as suas vidas sobre o alicerce do seu temperamento natural. Nem acreditam que haja alguma vantagem em sua posição natural na vida. [...] Ser humilde de espírito é sentir que nada somos, que nada temos, e também que olhamos para Deus em total submissão a Ele, dependendo inteiramente de Sua misericórdia."
O autor fecha o capítulo procurando estabelecer a forma como nos tornamos humildes de espírito. "Não olhemos para nós mesmos, e nem comecemos a tentar fazer as coisas por nossas próprias forças." Devemos, sim, voltarmos os nossos olhos para Cristo, lendo a Bíblia e examinando o que Ele quer de nós. Quanto mais fixarmos o olhar nele, mais nos sentiremos nulos, e tanto mais nos tornaremos "humildes de espírito".

Um abraço,

Marcelo

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