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domingo, 12 de abril de 2009

A comunicação virtual e suas contradições

Nunca foi tão rápido e simples comunicar-se com alguém, onde quer que essa pessoa esteja, como nos dias atuais. Vivemos uma era de conversas on-line, torpedos, e-mail, skype, orkut, youtube, e, quem diria, até mesmo de ligações telefônicas (celular ou convencional). Novas tecnologias incorporam-se ao nosso cotidiano com a mesma velocidade que se tornam ultrapassadas.
Com tantos recursos à disposição, somos levados a concluir que as pessoas estão relacionando-se mais e melhor a cada dia que passa. Falar com Tóquio e tão fácil quanto falar com o nosso colega de trabalho, que está na sala ao lado. Mas não é isso que acontece. E é exatamente neste ponto que encontramos o grande paradoxo da comunicação virtual, instantânea, on-line: nos aproximamos de pessoas que estão longe, e nos afastamos das pessoas que estão perto. Mandamos um e-mail para um amigo ou parente que mora na Europa, utilizamos o messenger para trocarmos mensagens com alguém que está em outro Estado, e usamos os mesmos recursos para falarmos com alguém que mora em nossa cidade, nosso bairro, ou até mesmo em nossa casa.
É inegável que a internet, e os recursos que ela possui, são de grande valia para facilitar a comunicação, tanto pessoal como profissional. São inúmeras as possibilidades que estão colocadas diante de nossos olhos e dedos para nos comunicarmos de forma ágil e eficiente. Todavia, precisamos ter o cuidado de não "digitalizarmos" demais os nossos relacionamentos. Isso apenas os tornaria frios e impessoais. Se podemos optar entre ligarmos e enviarmos um torpedo, a ligação deve ser a escolha. Se temos a possibilidade de contatar pessoalmente alguém em vez de enviarmos um e-mail, façamos isso. Nada substitui o abraço, o carinho, o relacionamento pessoal.
É tão bom quando podemos sentar e conversar com um amigo, trocarmos idéias, rirmos juntos, chorarmos juntos. Emoção não pode ser virtualizada, por mais bonito que seja o cartão ou a mensagem. Relacionamento pressupõe envolvimento, e isso é matéria-prima escassa em nossos dias tão egoístas. Escrevo isso colocando o dedo na minha consciência, pois muitas vezes me utilizo dos meios eletrônicos para mandar mensagens que teriam muito mais valor se ditas de viva voz. Mas tenho procurado mudar isso. Creio, sinceramente, que viveríamos num mundo melhor se as pessoas buscassem imprimir mais qualidade em seus relacionamentos, preocupando-se uns com os outros, interessadas em servir ao próximo sem esperar retribuição.
Sei que nem todos concordarão com isso, mas espero que você seja levado a refletir sobre isso, e pense duas vezes antes de mandar o próximo torpedo: será que não seria melhor ligar?

Um abraço,

Marcelo

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