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Portanto, vão e façam discípulos... (Mateus 28:19)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Ser e fazer discípulos

Faz alguns meses que penso sobre o tema “discipulado”.
Eis uma das principais missões de cada cristão: fazer discípulos de Cristo (Mt 28:19). Recentemente, tive a oportunidade de participar da Conferência MDA (Modelo de Discipulado Apostólico), onde conheci igrejas que utilizam o discipulado um a um e tem experimentado um grande crescimento, tanto quantitativo como qualitativo. Deixando de lado as questões que alguns consideram polêmicas, e centrando-me naquilo que é relevante, a visão de discipulado um a um foi utilizada por Jesus durante todo Seu ministério para treinar seus discípulos.
O recrutamento daqueles que viriam a ser seus seguidores mais próximos iniciou com Pedro e seu irmão André, pescadores que estavam à beira do Mar da Galiléia exercendo seu ofício quando foram chamados por Cristo. O relato deste encontro pode ser lido em Mateus 4:18: “Andando à beira do mar da Galiléia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Eles estavam lançando redes ao mar, pois eram pescadores.”  Parece uma simples observação sobre a profissão daqueles homens. Entretanto, ela nos revela um princípio de grande importância quando falamos de discipulado, e que aprendi ouvindo a ministração do Pr. Tércio, pastor da Igreja Batista Mont’Serrat, falando sobre as principais características de um seguidor de Cristo (http://vimeo.com/39300832).
Para uma melhor compreensão do significado desta observação, é importante resgatarmos o contexto judaico em que eram formados os discípulos.
A formação de um discípulo envolvia três estágios:
a) Dos seis anos até os dez anos - era o primeiro estágio da educação, chamado de Bet Sefer (Casa do Livro). Neste período, as crianças começavam os estudos da Torá. A meta desse tempo era que, com dez anos, as crianças já tivessem a Torá memorizada. Alguns alunos começavam a se destacar e demonstrar habilidades naturais. Esses eram separados dos outros e passavam ao estágio seguinte de ensino.
b) Esse segundo estágio do ensino se chamava Bet Talmud (Casa de Aprender). Ali os alunos ficavam até aos catorze anos. Os que não prosseguiam voltavam para casa para aprender o oficio dos pais, da família. Enquanto isso, os que continuavam a formação na Bet Talmud deviam memorizar o restante das Escrituras Hebraicas. Com treze ou catorze anos, os melhores alunos já haviam decorado todo o Antigo Testamento e aprendido a arte de fazer perguntas e da tradição oral sobre o texto, sabendo o texto mas também sabendo quem tinha dito o que e em nome de quem.
c) O último estágio era o Bet Midrash (Casa de Estudo), entre nos catorze e quinze anos, quando o aluno se apresentava a um rabino famoso e dizia: "Rabino, eu quero ser um discípulo seu". Quando um aluno pedia a um rabino para ser um de seus “Talmidim”, ele desejava tomar sobre si o jugo desse rabino. Ele queria aprender a fazer o que o rabino fazia.
Interessante observar que todos os meninos judaicos passavam por este processo, inclusive Pedro e André. Entretanto, eles não conseguiram chegar ao último estágio. Retornaram à sua família para aprenderem o ofício de seu pai, tornando-se pescadores. Por que, então, eles eram pescadores? Porque eles não tinham os requisitos dos melhores alunos para se tornarem Talmidim de algum rabino. Jesus, então, quebra o paradigma estabelecido pelos líderes religiosos e escolhe, para serem seus discípulos, àqueles que não foram suficientemente bons para serem seguidores dos rabinos da época.
Quando Ele os desafiou a segui-Lo, imagino que aqueles homens se sentiram valorizados, abandonando imediatamente o que estavam fazendo para acompanhar Jesus num projeto que transformou as suas vidas e o mundo.
Observando este texto, aprendo que não importa o que as pessoas pensam a nosso respeito, ou se reunimos as condições necessárias para sermos um seguidor de Cristo. O que realmente importa é que Ele acredita em nós. Mesmo que pensamentos de incapacidade nos rondem, devemos confiar que Ele nos capacitará para realizarmos a Sua obra, assim como ele capacitou os discípulos. Para isso, precisamos nos colocar nas Suas mãos, deixando que Ele nos molde conforme a Sua vontade.
Um abraço
Marcelo    







Um comentário:

  1. Amigo querido,

    Lendo seu estudo sobre ser discipulo e de como Jesus valorizou os rejeitados pelos "acadêmicos"da época, algo inusitado naquele contexto histórico, comparo com a minha missão no CERVI e o quanto sou limitada, comum e igual a todos e ainda sim, chamada por Deus. Penso em como Deus nos vê, apesar de que o mundo trabalha para crermos em sofismas e o inimigo age com sutilezas para desfazer o que Deus já fez.
    Se Deus é por nós e trabalha em nosso favor, precisamos ter o entendimento e sensibilidade de tentarmos ver as situações com os olhos de Deus. Precisamos desse filtro.
    Creio que isso seja visão de Deus e discernimento que estão presentes quando nos dispomos a buscar a revelação da vontade do Pai para, em seguida, obedecermos.
    Obrigada por compartilhar conosco suas ideias que muito colaboram pro nosso pensar e agir em Cristo.
    Grande abraço
    KK

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