Desde a noite de domingo uma polêmica tem inundado o Brasil: o Grêmio deveria entregar o jogo para o Flamengo com o objetivo de impedir que o Inter conquistasse o título de Campeão Brasileiro? Ou deveria jogar com seriedade, buscando a vitória, mesmo que ela desse o título do campeonato ao seu rival? O debate tem dominado as manchetes esportivas e as rodas de bate-papo. Uns dizem que isso não tem nada a ver com ética e dignidade, mas com a rivalidade local. Outros, sustentam que esses valores nunca podem ser ultrapassados, mesmo quando o assunto é futebol. Os torcedores do Grêmio (alguns, diga-se de passagem) acham que o time tem que entregar o jogo. A direção e os jogadores afirmam que jogarão pela vitória. E o assunto está rendendo boas discussões.
Polêmicas a parte, uma coisa é certa: exigir que o Grêmio jogue uma final de Copa do Mundo contra o Flamengo para possibilitar o título ao Inter é querer mascarar a falta de competência colorada para conseguir os pontos que estão lhe fazendo falta agora, como aqueles da derrota para o quase rebaixado Botafogo, em pleno Beira Rio . E isso não tem nada a ver com ética ou dignidade.
Entretanto, é importante destacar que toda essa discussão tem servido para resgatar esses dois termos que estavam ficando esquecidos: ética e dignidade. Vivemos em um país no qual esses conceitos são relativizados: tudo depende da circunstância e do momento. Muitos utilizam-os conforme a sua conveniência e oportunidade. Para os grandes temas, como mensalão, propinas, compra de votos, jogo de poder, etc, eles são trazidos à mesa, e utilizados para condenar, com veemência, àqueles que realizam tais práticas. Mas quando o assunto são os pequenos deslizes que cometemos, na busca de pequenas vantagens, que julgamos não merecer maior destaque, pois são de somenos importância para a coletividade, nossa tendência é transigirmos e apresentarmos uma justificatica para tal ato.
Ética e dignidade são conceitos absolutos, que não se moldam ao nosso cotidiano, e não podem ser vestidos ou desvestidos como a roupa que usamos. Precisam ser valorizados, e devem pautar a nossa conduta sempre, independente das circunstâncias. Mesmo que isso tenha consequências não muito agradáveis. Mesmo que isso dê o título ao rival. Mas, por favor, não exijam do Grêmio o que o Inter não teve competência para fazer com suas próprias forças.
Um abraço
Marcelo
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